O que é o Bhumi e como surgiu?

Desenrolar da História

 

Nos anos 2005 e 2006 passei por um período de introspecção e de transformação fortes. Questões como “Quem sou eu?”, “O que faço aqui?”, “De onde vim?”, “Para onde vou?”, “Qual o propósito de tudo isto?” começaram a ocupar a minha mente a partir desta altura.

Começei a dedicar a maior parte do meu tempo a temas como Auto-conhecimento, Desenvolvimento Pessoal e Espiritualidade, enquanto mantinha o interesse em Economia, Gestão de Pessoas, de Espaços e de Dinheiro. Era claro o grande interesse em mim próprio (em querer “conhecer-me” cada vez mais e melhor) e no outro (economia nas entrelinhas significa o “dar e receber“).

Estudando a ponta do iceberg sobre Microeconomia e Macroeconomia, o sistema bancário e a Bolsa, percebi de uma forma bastante superficial o quão frágil é a nossa organização enquanto Sociedade: a vida da maior parte da população mundial depende do correcto florescimento e desenvolvimento das empresas! Empresas de Electricidade, de Alimentação, “que guardam o nosso dinheiro” (bancos), de Combustível para transporte e produção, de Educação, de Saúde, de Comunicação, de Cultura, de Entretenimento… Tudo são empresas!

Isso assustou-me!

Assustou-me porque vivo num país que está constantemente a aumentar a sua dívida externa e, para resolver essa questão, ou 1) vamos reduzir os encargos com o sector público (mais despedimentos) ou 2) vamos aumentar os impostos (e aí o sistema empresarial treme porque afastamos o investimento no nosso país, tudo começa lentamente “a morrer”)…

No meio de tantas leituras, conversas e questões, desta vez relacionadas com a sociedade e não “com o meu umbigo”, houve uma pergunta que fiz a mim próprio que se sobressaiu:

 

“E se tudo isto um dia deixar de funcionar?”

 

Esta questão originou uma avalanche de perguntas: Como seria a vida se os supermercados não tivessem mais comida para a população? E se a empresa das águas ou da electricidade tivessem sérios problemas? E se um dia quisermos levantar dinheiro e não conseguirmos obtê-lo em lado nenhum? E se nada funcionar, como será a recolha de lixos e das águas escuras (águas provenientes dos sanitários)? Onde estaria a segurança pública, a saúde pública?

Eram muitos “ses” e estava em pânico! As perguntas eram umas atrás das outras e oscilei entre algumas emoções: a raiva porque culpava certas organizações mundiais por todo este sistema “viciado”; a tristeza porque sentia que atitudes como ganância, violência e outras me faziam “desacreditar” na humanidade; a frustração porque percebi que, por mais barulho que fizesse, por mais tentativas que explorasse, nada do que eu dissesse ou fizesse ia fazer o outro mudar; e o medo porque a fragilidade e o hipotético caos que observava eram novos para mim!

 

 

O problema é a solução!

 

Já tinha ouvido esta expressão há uns tempos atrás, mas só começou a fazer sentido entre 2010 e 2011. Começei aqui um curso de Medicina Chinesa Clássica que me tem dado um conhecimento brutal de como os seres humanos funcionam, a influência do clima, da alimentação e das emoções na nossa vida e um bocadinho de Metafísica – ou seja, sobre mim e sobre os outros!

Cerca de 7 meses depois completei o Firewalking Facilitator Trainning que é, desde então, parte do meu trabalho e onde tenho aprendido muito com todas as experiências e com muitos que se têm cruzado comigo num encontro destes. Tive um trainning brutal sobre o medo e sobre como facilitar encontros de fogo em grupo. Com o fogo tenho tomado algumas decisões e aprendido a ser eu próprio.

 

Este foi o Bungalow onde dormi durante o Firewalking Facilitator Training

Este foi o Bungalow onde estive durante todo o Training. Muito interessante!

FIREWALKERS TRIBE ALGARVE 2011

Firewalkers Tribe Algarve 2011 – Faltou o Eduardo na foto, um dos homens-do-fogo

Quatro meses depois, em Agosto de 2011, tive a oportunidade de participar num voluntariado de duas semanas e num Curso de Design de Permacultura de 11 dias na Quinta da Cabeça do Mato (Tábua, Portugal). Foi uma experiência BRUTAL, aconselho-a a todas as pessoas que queiram encontrar soluções que visam a sustentabilidade e o “viver em harmonia com a natureza”.

Quando encontrei o conceito de Permacultura senti que parte da solução que procurava estava aqui!!

Não fazia ideia da rede gigante de informação sobre isto que estava espalhada pelo o mundo! Percebi que é possível cuidarmos das águas, das plantas, dos animais, da terra, do nosso lar, da nossa economia, dos nossos recursos e de nós próprios de forma sustentável, equilibrada e prática!

Permaculture Association

 

 E tomei a decisão…

 

Nesse curso tomei a decisão de assumir a responsabilidade por encontrar soluções para as pessoas, essencialmente, relacionadas com Terapias Holísticas e Energéticas e Desenvolvimento Pessoal e Espiritual e fazer disso um projeto inserido na natureza com todas as técincas adequadas de Bio-construção, Agricultura, Gestão das Águas Limpas e Sujas, Gestão dos desperdícios, Relações Humanas, entre outros.

Não sabia quem ia fazer parte do projeto, onde iria ser, quando ia começar, quanto dinheiro teria para começar, como começar…. enfim! Não sabia nada mas sabia que era por ali!

Dediquei os anos seguintes a formações, experiências e retiros para me munir de mais ferramentas, mais sensibilidade, novas perspectivas, novas ideias e mais transformações!

Também não sabia que um dia ia deixar de culpar “os outros” pela situação politico-económico-social actual que vivemos na Terra; também não sabia que a raiva aparece quando estou a ir contra a minha natureza e que desaparece quando me permito ser, quando medito, quando cuido de mim essencialmente com ervas chinesas para aclarar o Fogo, harmonizar a Madeira e nutrir a Terra, com alimentação, ponderação, retiros e experiências, pessoas; também não sabia que a tristeza e a frustração iam desaparecendo à medida que via cada vez mais pessoas vulneráveis e com vontade de se transformarem e por ir percebendo que eu podia ter um papel importante nesses processos pessoais e espirituais, seja com a minha presença seja com as técnicas com as quais trabalho; e também não sabia que o medo se ia tornar um amigo com o qual eu ia aprender a lidar e que iria perder o medo da transformação, da mudança e da inovação.

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Até que…

Em finais de 2015 comecei um novo relacionamento. Parece que ela apareceu para acelerar e fazer acontecer o nascimento deste projeto. Foi desde essa data que as novidades começaram!

Finalmente encontrei um nome “Bhumi” (que em sânscrito significa Mãe Terra e a Essência Natural em cada um de nós) para começar a materializá-lo; em Junho de 2016 demos o primeiro grande passo e compramos um furgão em 2ª mão, completamente vazio por dentro, nú! Não tínhamos experiência nenhuma relacionada com “construir autovivendas” e os familiares e amigos mais próximos estavam descrentes na ideia. Entre pdf’s e Youtube, abraçamos essa missão que ainda hoje não está completa!

O propósito deste furgão ao qual chamamos de “carrinha” era termos um meio de transporte que também servisse de casa e de cozinha para que a busca de terrenos fosse feita em melhores condições e de forma mais barata! Como o budget para comprar o terreno era limitadíssimo e não poderia ter nenhuma casa/edifício, a carrinha seria o nosso abrigo na fase inicial do seu desenvolvimento!

 

 

Aqui estão duas fotos do estado actual da carrinha! Tivemos a mãozinha do Robisson (um amigo que trabalha muito bem a madeira e iluminação) que nos ajudou com a parte exterior do armário, do móvel da cozinha e das gavetas! Ainda faltam uns armários, uns acabamentos e outras coisas mas já serve o seu propósito!

 

Fase I da Carrinha concluída

P.S. – O mosaico da cozinha demorou 7 dias (3 a 5 horas por dia) a estar totalmente finalizado! Se algum dia te aventurares a fazer algo do género, respira fundo e mãos à obra porque vale mesmo a pena – tanto o processo como o resultado final!!

 

Fase I da Carrinha concluída

 

Tinham sido alguns anos a amadurecer a ideia e a completar a visão impulsionadora sobre o Bhumi, sentia que o terreno estava próximo!E…

 

A 15 de Fevereiro de 2017, encontramos um terreno com 3900m2 na parte Norte da região Centro do País!

 

Depois de algumas asneiras, algumas atitudes percepitadas e de algum esforço sem sentido (que certamente falarei em artigos futuros deste blog) decidimos pedir ajuda e recorrer aos conhecimentos e serviços de um casal que gosto muito, super entendidos na área da Permacultura em Portugal: Yassine Benderra e Joana Costa! Eles moram em família no Soajo e são os impulsionadores do Projeto AgroEcológico do Soajo (PAES).

Com muita pena de todos, o casal não pôde entrar nesta viagem connosco mas aconselharam-nos uma pessoa extremamente sensível e conhecedora no mundo das plantas, da terra, das águas, dos animais – de ecossistemas.

O nome deste senhor é Guy Micklos! Uma das muitas coisas que fez na vida foi leccionar aulas sobre Sistemas numa faculdade na Suécia! Ora bem… a sua paixão sobre a natureza (especialmente plantas) vinda de gerações anteriores e o seu conhecimento sobre Sistemas fez com que facilmente começasse a dominar os microsistemas existentes dentro de sistemas maiores que compõem a Permacultura!

Ele é quem está neste momento responsável por planear e desenhar o espaço físico do Bhumi!

 

 

Então e o que é o Bhumi?

 

Neste momento está a ser projetado um pequeno Glamping inserido numa Food Forest e que respeitará a maior parte (senão a totalidade) dos príncipios da Permacultura!

 

bhumi portugal

 

Esperamos que seja um local onde várias pessoas, de diferentes nacionalidades, possam aprender mais sobre si próprias e sobre Permacultura, vivendo experiências momêntaneas ou de longa duração com os habitantes permanentes ou temporários que irão morar no local e que estejam a contribuir para o crescimento e desenvolvimento desta visão.

A ideia de criar um Glamping surgiu da necessidade de criar as condições para que as pessoas possam pernoitar no local e como fonte de algum rendimento para que o Bhumi possa crescer e evoluir. A ideia de criar uma Food Forest surge da necessidade de gerar bio-diversidade num espaço tão pequeno (que outrora foi um eucaliptal), que gere algum alimento e para sensibilizar os curiosos sobre a possibilidade de tirarmos proveito da Natureza com um impacto reduzidamente prejudicial ou até benéfico para tudo e todos!

Estamos super felizes e cada vez com mais trabalho e coisas para fazer! Por enquanto, isto é o Bhumi Portugal!

 

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Espero-te bem,

João